Sunday, December 31, 2006

em memória do meu 2006...

Poema das coisas belas

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
E belas, para quê?

Põe-se o Sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas porque será belo o pôr do Sol?
E belo, para quê?

Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas para quê?

Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?

de António Gedeão

Friday, December 22, 2006

espécie de parte da minha vida em banda desenhada...

A vida de estudante de doutoramento...
Pois é... parece que é a mesma onde quer estejas...

a desordem pós licenciatura...
o efeito borboleta e a minha investigação...

um dia de trabalho (leia-se cada segundo que o compõe)...

o almoço...

...suspiro...

Wednesday, December 20, 2006

tive uma epifania...


Acontece-me de tempos a tempos. Às vezes são intelectuais, às vezes espirituais, às vezes emocionais... às vezes duas ou até três destas de uma só vez...! surgem geralmente como um efeito de túnel que ultrapassa barreiras de potencial. Perdoa-me as analogias à mecânica quântica, mas é que são verdadeiros saltos quânticos, até porque me levam a sítios sem passar pelo caminho para lá chegar...

Sempre intensas, nem sempre agradáveis, por vezes inebriantes, remexendo-me de formas que não compreendo... como se recebesse uma mensagem --informação, sentimentos, perspectivas-- vinda do futuro, de um eu que ainda não sou, fruto de um caminho que ainda não percorri... coberto por uma névoa cheia de mistério...

não controlo quando surgem, ainda que possa criar condições que me parecem propícias...

mas esta surgiu sem eu a pedir, esperar ou tentar fazer nada por isso.

foi doce...

ainda que, despida da vertente intelectual, me tivesse levado um bocadito a compreender...

e na verdade, no final do dia, eu sou apenas alguém a tentar compreender o que me rodeia, como dizia há pouco, uma coisita de cada vez...

...e encontro mais perguntas, daquelas que, curioso como sou, me dão vontade de continuar a tentar perceber o e os que me rodeiam...

mais degraus...

...até porque amanhã é outro dia, cheio de coisas novas...


Thursday, December 14, 2006

extravagant...



no meio de tanta coisa k acontece, sempre existe a música... e quando é acabadinha de descobrir... é quase coruscante...

Sunday, December 10, 2006

de vez em quando...

De vez em quando quase quase acredito que esse universo, o meu, aquele sítio onde eu pertenço, aquele que faz sentido e onde eu faço sentido existe mesmo.
E mesmo não tendo nenhuma esperança de ir ou voltar para lá, sabe bem saber que há um lugar algures onde me sinto aconchegado... como um dia daqueles bem frios, mas com um céu azul, bem azulinho; eu na rua e uma taça de chocolate quente nas mãos, mas daquele que aguenta a colher de pé...!

...mas só de vez em quando...

Friday, December 08, 2006

guitarra

Há momentos em que sou eu e a guitarra, e só eu e ela entendemos...
Momentos em que os meus dedos a percorrem, deslizam, pulsam... param...!

...e retomam esta dança a dois...

As cordas não soam ao meu pedido, antes respondem ao que eu lhes pergunto. Por vezes o que quero ouvir, às vezes o que não quero... mas ela entende-me...

E pulsam, ressoam, emaranham-se com o ar, de pressão mutável e oscilante...
Emaranham-se comigo, em ressonância com a harmonia de ciclos, as melodias que constituem o meu corpo, a minha mente... a minha alma.

São momentos em que posso exprimir o que está dentro, a implodir, já quase no raio de Swarzschild, louvar o grande Compositor que me fez esta ode de ressonâncias.

Uma ode às pessoas que me fazem vibrar,
aos que não existem...
uma ode ao que me faz sorrir...
uma ode ao que me faz chorar...
uma ode ao que me muda...

e me torna o que sou.

Momentos em que a mente percebe e as epifanias ocorrem...

Here's to the crazy ones



Para ti que não sabes a origem do poema que iniciou este blog, e lhe deu o nome...
Mas atenção! A loucura e os devaneios, esses são totalmente meus... :)